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12/03/2018 15h46 - Atualizado em 12/03/2018 17h08

Projeto de Sistemas Integrados aumenta produtividade de propriedade na região sul de Mato Grosso

Cairo Lustoza


Os sistemas de integração envolvem a produção de grãos, fibras, madeira, energia, leite ou carne na mesma área, em plantios em rotação, consorciação ou sucessão. No ano 2014, o Grupo de Pesquisa e Inovação em Sistemas Puros e Integrados de Produção Agropecuária (GPISI) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), juntamente com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) implantaram um projeto de Sistemas Integrados de Produção Agropecuária na Fazenda Gravataí, em Itiquira (MT), proporcionando um aumento considerável na produção da propriedade.



No primeiro ano as condições climáticas na favoreceram, e os resultados obtidos não foram os melhores, mas desistir não era a alternativa naquele momento, conta o coordenador do GPISI, professor Edicarlos Damacena de Souza. A princípio a ideia era melhorar a produção animal na propriedade e se possível, também aumentar a produtividade de grãos. “Hoje vejo que não estávamos errados, os resultados desses três anos são surpreendentes”, disse.



Segundo o professor, o primeiro passo do grupo foi substituir a gramínea utilizada que era a Brachiaria ruziziensis, colocando espécies de maior qualidade e com mais resistência ao pisoteio animal. Nesse caso foram utilizadas as gramíneas da espécie Brachiaria brizantha, que foram a BRS Piatã e a BRS Paiaguás. E, afim de melhorar um pouco mais a qualidade do pasto, o grupo decidiu consorciar capim com leguminosas e as espécies utilizadas foram o feijão caupi e o feijão guandu. O procedimento de consórcio é feito depois da colheita da soja.



Após três anos de avaliação anual da qualidade do solo, da qualidade do pasto, da produtividade animal e da produtividade da soja, foi observado que o consórcio de graminhas com leguminosas incrementa a qualidade do solo fazendo com que a quantidade de microrganismos presentes no solo seja três vezes maior do que quando se tem gramínea de ruziziensis solteira. Além de aumentar o teor de nitrogênio do solo, beneficiando a cultura da soja em sequência.



Em relação a produtividade animal, Edicarlos explica que houve um aumento no ganho de peso diário extremamente considerável, principalmente em áreas onde o consorcio do pasto é feito com a Piatã e Paiaguás consorciado com feijão caupi. “Enquanto na média nacional de produção animal é de 3,5 arrobas por hectare em um ano, com a utilização da Integração Lavoura Pecuária com consórcio na fase pastagem esse ganho chega a 6 arrobas por hectare em apenas 90 dias, resultados que confirmam e superam nossas expectativas lá do início da implantação do projeto”, destacou.



Assim como o gado, a soja também aumentou sua produtividade, pois se compararmos os resultados de 2014 com os de 2018 é possível observar um crescimento de aproximadamente 49% em três anos.



De acordo com o coordenador agrícola da Fazenda Gravataí, Jorge Sales, no primeiro ano de projeto, mesmo com falta de chuvas e o pouco efeito do sistema, a produtividade da soja cultivada após a retirada do pasto solteiro foi de 46 sacas por hectare e no consociado de 49 sacas por hectare. No segundo a produção de soja após pasto solteiro foi de 59,5 sacas por hectare e após o consórcio com caupi foi de 71 sacas. Já na safra de 2017/2018 a produtividade nas áreas consorciadas com caupi chegou a 81 sacas por hectare e solteiro 77 sacas. Esses resultados comprovam os benefícios dos sistemas para o solo, planta e animal.



Jorge, também considera que esse não é um sistema simples, mas com médias de produtividade muito evolutiva de acordo com cada consórcio, manejo e cobertura do solo. “O Sistema Integrado é uma correção que os procedimentos mecânicos nunca vão alcançar, é um trabalho que precisa ser feito em conjunto com pesquisadores e especialistas, mas que garante bons resultados”, completou.



Quanto a adesão ao Sistemas Integrados, o professor Edicarlos diz que é importante buscar assessoria técnica de um profissional que entenda ou já trabalhe com Sistemas Integrados, pois mesmo não sendo um sistema difícil de ser feito, ele possui suas particularidades que precisam ser adaptadas para cada condição de propriedade. E, acrescentou que o GPISI está à disposição para orientar o produtor, pois possui pessoas aptas a desenvolver as técnicas. Pessoas que forma treinadas e estão qualificadas pelo grupo para prestarem a assessoria necessária.