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Sobre progresso e seu custo...

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10/09/2019 10h45

Sobre progresso e seu custo...

assessoria de imprensa


A década de 70 foi o marco do início da exploração madeireira e agropecuária do centro oeste do país. Geração essa que abriu terras e acelerou o progresso do nosso estado de Mato Grosso. Foi uma fase muito importante, com incentivo do governo eu conseguimos desenvolver o “nortão” e regiões fora da baixada cuiabana. Diversas cidades surgiram dessa migração e hoje são polos de produção sem igual. Porém, como tudo na vida, o preço do progresso começa a ser um fardo que temos que, de uma vez por todas, assumir e mitigar.

 

Hoje não podemos mais conceber a degradação irresponsável do cerrado e Amazônia, as tecnologias estão aí para que o produtor aumente o rendimento sem derrubar mais. Pior ainda é utilizar métodos cujos efeitos colaterais são inaceitáveis. Estou falando do uso das queimadas para limpeza das áreas, que já se provou um desastre pelo eminente risco de perda de controle e se tornar infernos na terra. Milhares de quilômetros de mata já foram perdidas somente esse ano para o fogo. Tem que haver menos burocracia para quem quer produzir, porém, não podemos aceitar práticas irresponsáveis que geram enormes prejuízos ambientais e, no fim das contas, sociais e econômicos. Estamos diante de um quadro global em que para se vender as commodities não se pode desvencilhar o custo ambiental de produção.

 

Sinais claros apontam nessa direção. Recentes acordos internacionais fortalecem nossas possibilidades e abrem fronteiras para nossos produtos, mas a imagem internacional do país diante dos problemas com os incêndios interfere diretamente no valor de nossa marca. Afinal, tudo hoje é valorado pela sua marca e imagem. Escrevi um artigo que demonstrava que são possíveis avanços através da industrialização e melhorar todos os índices sociais por meio do crescimento econômico, isso nunca foi mais verdade do que agora.

 

A mata de pé gera uma infinidade de produtos, tangíveis e intangíveis, por isso a transformação de nossa matriz de produção é vital para que não dependamos da degradação para tirar o sustento. São 25 milhões de habitantes na região amazônica que poderiam estar fazendo parte de um cenário diferente do que vemos hoje. Em nosso estado tenho lutado por essa diversificação e ela está acontecendo.

 

Mais importante do que sermos só o celeiro do mundo é continuarmos sendo a maior reserva de diversidade natural, de água doce e tantas outras riquezas que estão aqui e é nossa obrigação proteger, inclusive, de nós mesmo, se necessário. Isso não dá direito a qualquer outro país ou líder colocar em xeque nossa soberania. Não devemos abrir mão de nenhum palmo de terra que seja nosso território legítimo, mas sempre tendo em vista a imensa responsabilidade do que temos em nosso poder. Afinal, poder é responsabilidade.

 

 


Grande abraço,

Max Russi – Dep. Estadual.