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13/02/2020 18h11 - Atualizado em 13/02/2020 19h17

Difícil de se encontrar nos grandes estádios do Brasil, vantagens e desvantagens da grama sintética ainda são pouco conhecidas no país

IPT - Instituto de Pesquisas Tecnológicas


O Palmeiras está prestes a se tornar o segundo dos times de futebol do Brasil a adotar a grama sintética em seu estádio - o primeiro foi o Athletico Paranense (foto). Previsto para inauguração nesse mês, o novo gramado da equipe paulista reacendeu as discussões sobre vantagens e desvantagens do material para o esporte e também para os atletas brasileiros.

Similar à estrutura de um carpete, a grama sintética possui um arranjo considerado têxtil. “Trata-se de uma base de estrutura plana, na qual fios ou fibras (tufos), produzidos geralmente em polietileno, são introduzidos por meio de agulhas, formando uma superfície felpuda”, explica a pesquisadora Rayana Santiago de Queiroz, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

Depois de finalizada, aplica-se sobre a base um acabamento polimérico que vai garantir estabilidade dimensional para a grama, ou seja, aumentar a capacidade de manter seu tamanho original sob diferentes condições ambientais e de uso. Queiroz aponta que, apesar de existir a polêmica quanto às condições de jogo em gramado sintético e natural, toda a sua especificação técnica foi construída com base no desempenho da grama natural quando o material foi desenvolvido para utilização em espaços esportivos: “Principalmente em termos da interação jogador-grama e bola-grama, não existem diferenças de performance em tese”.
 
Uma desvantagem do material, porém, está diretamente relacionada à experiência dos jogadores em campo: “A questão do conforto térmico e tátil é um problema relevante, porque a grama sintética retém mais calor, ocorrendo consequentemente a sua transferência para o jogador, e também pode causar lesões na pele de queimadura por fricção”. Já o gramado que será instalado no Allianz Park, estádio do clube Paulista, de acordo com informações divulgadas pela imprensa, usa materiais alternativos para solucionar o incômodo com a temperatura. "A estrutura é a mesma: base, tufos e preenchimento. O que muda são os componentes, em especial o de preenchimento que é formado por grãos poliméricos ocos. Ou seja, não só a composição é diferente, mas o formato também ajuda na condutividade do calor", afirma Queiroz.
 
 
Uma das principais vantagens do material é sua manutenção, mais barata e mais simples do que a de um gramado natural pois não há a necessidade de irrigação ou reparos de jardinagem. Além disso, a grama sintética permite variados usos no mesmo local sem a necessidade de intervalos prolongados. No caso do Palmeiras, por exemplo, a agenda de shows realizados no estádio atrapalharão menos os jogos do clube.
 

DIFERENÇAS CLIMÁTICAS - Tradicionalmente mais utilizada em países de clima temperado, a grama sintética tem suas especificações para o esporte elaboradas pela Federação Internacional de Futebol (FIFA). “Principalmente em locais de invernos rigorosos, a manutenção da grama natural acaba sendo economicamente inviável”, diz ela. Segundo Queiroz, não é totalmente garantido que essas especificações atendam plenamente às condições climáticas de países tropicais, como é o caso do Brasil.


“Quando se fala em alterações climáticas de uma região para outra, a durabilidade da grama em função à exposição ultravioleta (UV) é um dos principais impactos”, afirma a pesquisadora. De acordo com a especificação internacional, é preciso realizar um envelhecimento da grama de cinco mil horas em câmara ultravioleta. Após o processo, o material é avaliado quanto à perda de resistência à tração e, caso atenda os valores estabelecidos, está aprovado dentro dos padrões da FIFA.