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14/03/2020 16h34

Novas estimativas de câncer do Brasil reforçam associação entre estilo de vida e tumores mais comuns no país

Moura Leite Netto


Depois dos tumores de pele do tipo não melanoma, o câncer de mama continua sendo o mais incidente entre as mulheres. No entanto, o que chama a atenção é o aumento de 11% no número absoluto de novos casos anuais previstos para o triênio 2020-2022 em relação aos dados de 2018-2019.

 

Ao contrário dos anos anteriores, haverá mais mulheres que recebem o diagnóstico de câncer de mama do que o total de homens diagnosticados com câncer de próstata. A estimativa de novos casos de câncer de mama saltou de 59.700 para 66.280. Já o câncer de próstata reduziu de 68.220 para 65.840.

 

O médico patologista Gerônimo Junior, da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP) e diretor do Laboratório LAPAC, do Piauí, observa que, embora o surgimento do câncer de mama seja multifatorial, o estilo de vida é determinante para o aumento da incidência desta doença. “Hoje as mulheres, em geral, têm menos filhos e a primeira gestação mais tardia. Com isso, amamentam menos e menstruam mais, estando assim mais expostas ao estímulo hormonal”.

 

Por sua vez, acrescenta o especialista, há outros fatores e cada um deles influencia o risco parcialmente, como obesidade, sedentarismo e uso de álcool, por exemplo. “A boa notícia é que quanto mais precoce for a descoberta do câncer de mama, maior é a chance de cura”, ressalta.

 

CÂNCER DE INTESTINO – Dentre os tipos de câncer mais incidentes em ambos os sexos se destaca o colorretal (intestino grosso e reto). A doença, que já era a segunda mais comum em mulheres, agora é também a segunda mais diagnosticada em homens, ultrapassando os casos de câncer de pulmão. Somando o sexo feminino e masculino, saltou de 36.360 casos/anos previstos para 2018-2019 para 40.990 casos no novo triênio.

 

Gerônimo Junior destaca que embora o câncer colorretal também seja multifatorial, o estilo de vida é determinante. O principal agravante é a dieta com alta ingestão de carne vermelha e de alimentos processados, assim como a baixa ingestão de frutas, vegetais e fibras. “As evidências também mostram que o tabagismo e etilismo também contribuem para a maior incidência, assim como a obesidade, devido ao estado inflamatório, que é uma agressão ao intestino”, afirma o médico patologista.

 

Em resumo, o levantamento divulgado pelo INCA mostra que para 2020-2022 os tipos de câncer mais frequentes em homens, à exceção do câncer de pele não melanoma, serão próstata (29,2%), cólon e reto (9,1%), pulmão (7,9%), estômago (5,9%) e cavidade oral (5,0%). Nas mulheres, exceto o câncer de pele não melanoma, os cânceres de mama (29,7%), cólon e reto (9,2%), colo do útero (7,4%), pulmão (5,6%) e tireoide (5,4%) figurarão entre os principais. 

 

A IMPORTÂNCIA DE IR ALÉM DOS NÚMEROS – Tão importante quanto se quantificar o impacto do câncer no Brasil é entender que esta doença, embora seja apenas uma palavra, mostra-se bastante heterogênea. O câncer de mama, por exemplo, que décadas atrás os especialistas pensavam que era uma única doença, hoje é possível saber, graças ao advento de técnicas moleculares, que há múltiplos subtipos e, para alguns destes, há alvos para terapias especificas.  

 

“Nesta Era em que vivemos, que é da medicina de precisão, cabe a nós patologistas não apenas o diagnóstico do câncer, mas a pesquisa, através de testes moleculares, de alterações nestas células que permitam melhor classificação, tratamentos mais individualizados e maior conhecimento da história natural desta doença”, ressalta Gerônimo Junior.

 

Sobre a SBP - Fundada em 5 de agosto de 1954, a Sociedade Brasileira de Patologia é responsável por representar seus associados e oferecer-lhes suporte técnico-científico e profissional, incluindo assessoria jurídica, acesso a programas de educação continuada, atualização científica, controle de qualidade e acreditação de serviços. A entidade visa ser reconhecida como uma associação de elevado padrão ético e profissional, com representatividade efetiva junto à sociedade civil, ao governo e a comunidade – assistencial e acadêmica – consolidando-se como referência no exercício da Patologia no Brasil.