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02/11/2019 17h49

Atletas de tiro esportivo pedem tratamento diferenciado para comprar armas

Agência Câmara Notícias


"Não confundam atletas de tiro com atiradores. Não somos atiradores; somos atletas. Ninguém mata ninguém".

 

Esse foi o apelo da presidente da Comissão de Atletas da Confederação Brasileira de Tiro Esportivo, Janice Teixeira, aos participantes de audiência pública da Comissão do Esporte da Câmara.

 

Para Janice e os demais representantes das confederações de tiro com arco e de tiro esportivo presentes à audiência, a falta de entendimento sobre esses esportes dificulta a prática esportiva.

 

Eles argumentam que a compra de equipamentos por atletas não deveria seguir as mesmas regras da aquisição de armas pela população em geral.

 

Uma pessoa de 18 a 25 anos, por exemplo, não pode comprar uma arma de fogo.

 

Mas, para o vice-presidente da Confederação Brasileira de Tiro Esportivo, Jodson Junior, o atleta dessa idade deveria ser autorizado a comprar armas para treinamento e competição.

 

"O entendimento que alguns fazem em relação a arma de fogo é genérica e não pode ser, porque as armas de competição olímpica são totalmente diferentes, têm regulamento à parte. Não se pode fazer uma legislação genérica e totalitária em relação ao país inteiro", afirmou.

 

O presidente da Confederação Brasileira de Tiro com Arco, Vicente Blumenschein, expressou preocupação em relação a um projeto de lei (PL 2053/19) que impõe regras para a venda de equipamentos de arqueria, como restrição à aquisição por menores de idade e registro do comprador.

 

O deputado Luiz Lima (PSL-RJ), autor do requerimento para a realização da audiência, compartilha dessa preocupação.

 

"Com tiro com arco, você destruiria a modalidade na qual você sabe que todos os atletas têm que ingressar na infância ou adolescência.

 

Já vou conversar com a minha equipe para tomar conhecimento de como pode agir e fazer uma intervenção pelo esporte".

 

Série de audiências

A Comissão do Esporte vem realizando uma série de audiências públicas com as confederações esportivas sobre a preparação para os Jogos Olímpicos de Tóquio, ouvindo representantes das entidades e das comissões de atletas.

 

Um tema que voltou a aparecer nos debates por afetar todos os esportes que utilizam equipamentos caros e importados, como ciclismo, vela, canoagem, triátlon, tiro com arco e tiro esportivo, foi a solicitação de isenção dos impostos pagos na importação desses produtos.

 

Segundo Jodson Junior, uma arma chega a custar ao atleta brasileiro duas vezes e meia o que custa no exterior.

 

"A arma estrangeira que não é fabricada no país também é taxada como se fosse arma fabricada no País. Tem 45% de IPI, tem todos os impostos federais, tem transporte, armazenagem e o ICMS do estado onde a arma está desembarcando.

 

Para uma modalidade como essa fica inviável".

 

Doping, investimento nas categorias de base, legado dos Jogos Rio 2016 e expectativas de classificação e medalhas para Tóquio foram outros temas levantados na reunião.

 

A Comissão do Esporte já ouviu dirigentes e atletas de 22 confederações esportivas e, em duas audiências programadas para novembro, deve ouvir os representantes de outras dez.