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27/11/2019 16h02 - Atualizado em 28/11/2019 12h38

INCA apresenta análise dos três cânceres que mais afetam os homens

INCA


No Dia Nacional de Combate ao Câncer, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) e o Ministério da Saúde apresentam uma análise da situação dos três tipos de câncer que mais afetam os homens brasileiros: próstata, pulmão (traqueia, brônquios e pulmão) e intestino (cólon e reto). Os especialistas recomendam, como medida mais eficaz para a prevenção dessas doenças, a adoção de hábitos saudáveis, como não fumar, controlar o peso, praticar atividades físicas regularmente, alimentar-se de forma adequada e evitar bebidas alcoólicas.

 

Segundo estimativas do INCA para o ano de 2019, os tipos de câncer mais incidentes entre os homens brasileiros são: próstata, com 68.220 casos novos; pulmão, com 18.740 casos; e intestino, com 17.318. Em termos de mortalidade, segundo o Sistema de Informação sobre Mortalidade, pulmão liderou o ranking com 16.137 mortes, seguido de próstata com 15.391 e intestino com 9.207 em 2017 (números mais recentes).

 

 

Pulmão (traqueia, brônquio e pulmão)

No caso do câncer de pulmão, a recomendação é bastante clara: não fumar. A proporção de casos de câncer de pulmão entre homens brasileiros atribuídos ao fator de risco tabagismo foi de 86,5% em 2012, segundo a pesquisa Proportion of cancer cases and deaths attributable to lifestyle risk fator in Brazil, da Universidade de São Paulo (USP).

 

O câncer de pulmão é uma doença silenciosa, com um longo período de latência e letalidade muito alta. O fumante, em geral, demora pelo menos 20 anos para desenvolver a doença. Quando diagnosticado, as chances de sobrevivência dos pacientes são baixas. Segundo o INCA, a estimativa da taxa bruta de incidência do câncer de pulmão no Brasil em 2019 foi de 18,16 por 100.000 homens, frente à taxa bruta de mortalidade de 15,98, em 2017.

 

“Como se trata de uma doença muito letal, o esforço de prevenção deve ser redobrado. O importante é que existe uma medida muito objetiva para evitar a doença, que é não fumar, conforme nos aponta toda a evidência científica acumulada durante várias décadas,” afirma Liz Almeida, chefe da Divisão de Pesquisa Populacional. “Para aqueles que fumam, é difícil superar a dependência à nicotina, mas é preciso enfrentar esse problema, que é infinitamente menor do que um câncer de pulmão.”

 

A boa notícia é que mortalidade por câncer de pulmão entre homens brasileiros está em queda, em função da redução da prevalência de fumantes. A taxa subiu continuamente desde o início da década de 1980, estabilizou-se a partir de meados dos anos 1990 e começou a cair em 2005.

 

 

Próstata

O câncer de próstata apresenta características bem diferentes das do câncer de pulmão, a começar pelo seu principal fator de risco, que é o envelhecimento. A doença lidera o ranking brasileiro na distribuição proporcional de tipos de câncer entre os homens, com 31,7% dos casos novos, com pulmão ocupando o segundo lugar com distantes 8,7%. Mas no ranking de mortalidade por câncer em homens em 2017, pulmão lidera com 14% das mortes, contra 13,4% de próstata.

 

A taxa de mortalidade foi de 15,25 óbitos para cada 100.000 homens em 2017, diante de uma estimativa de taxa de incidência de 66,12 em 2019. Esses números confirmam que o câncer de próstata é o mais frequente no Brasil, mas não tem mortalidade alta, quando comparado com outros tipos de câncer.

 

Ressalvando que alguns casos podem ser mais agressivos e progredir mais rapidamente, é muito comum que um homem permaneça durante anos ou até décadas com câncer de próstata, e a doença não evolua ou evolua lentamente.

 

“Com a disseminação dos exames de PSA [antígeno prostático específico, dosado no sangue] e de toque retal, homens que antigamente não tomariam ciência da doença passaram a ser diagnosticados com câncer de próstata. E aí surge o dilema: o que fazer? Por ansiedade, muitos homens acabam optando por se submeter à cirurgia, quando o melhor seria apenas monitorar a doença,” esclarece Arn Migowski, médico epidemiologista e chefe da Divisão de Detecção Precoce do INCA. Ele ressalta que a cirurgia, além dos riscos de qualquer procedimento invasivo, pode deixar sequelas, como impotência sexual e incontinência urinária.

 

A recomendação mundial e no Brasil, é que a opção de realizar ou não os exames de rastreamento seja feita em comum acordo entre o paciente e seu médico. Para auxiliar nessa tomada de decisão, o INCA criou uma ferramenta de apoio, que será distribuída para os médicos e usuários. Com linguagem e diagramação acessíveis ao leigo, a ferramenta sintetiza em duas páginas os prós e os contras da realização dos exames para detecção precoce do câncer de próstata.

 

Renata Maciel dos Santos, da Divisão de Detecção Precoce do INCA, desenvolveu a ferramenta de apoio à decisão como parte de sua tese de doutorado. O ponto de partida foi a reclamação de médicos sobre a falta de material para informar seus pacientes sobre benefícios e riscos dos exames para detecção do câncer de próstata. Renata, pesquisadora principal desse projeto, criou e aprimorou a ferramenta a partir de três etapas de discussões em grupos focais com pacientes e com médicos de 11 estados de todas as regiões brasileiras.

 

 

Intestino (cólon e reto)

O câncer de intestino avançou fortemente no Brasil nas últimas décadas, acompanhando o crescimento do percentual de pessoas com sobrepeso e obesidade no país. Em 1979, quando morreram 1.432 homens no Brasil por câncer de intestino, a taxa ajustada (padronização que permite que grupos com características diferentes possam ser comparados em igualdade de condições) era de 4,11. Em 2017, houve 9.038 mortes, e a taxa chegou a 8,63.

 

Segundo o estudo da USP, a proporção de casos de câncer de intestino em homens brasileiros atribuídos a altos índices de massa corporal foi de 12,2%, ao tabagismo, 12,1%; à dieta com baixo consumo de fibras, 11,8%; e à falta de atividade física, 11,1%.

 

“Controlar o peso, não fumar, praticar atividades físicas regularmente, manter uma dieta adequada e evitar bebidas alcoólicas são as medidas recomendadas para a prevenção não só do câncer de cólon e reto, mas para outros tipos de câncer e doenças cardiovasculares. Enfim, é a receita para uma vida saudável,” sintetiza Ana Cristina Pinho, diretora-geral do INCA.

 

 

Centro de Diagnóstico do Câncer de Próstata

O Centro de Diagnóstico do Câncer de Próstata (CDCP INCA), que funciona no Hospital do Câncer II (HC II), ao lado da Rodoviária do Rio, foi inaugurado no Dia Nacional de Combate ao Câncer de 2017.

 

O INCA e o Ministério da Saúde decidiram criar o CDCP INCA, porque identificaram que a dificuldade na realização da biópsia era o principal gargalo no acesso ao tratamento do câncer de próstata no Estado do Rio de Janeiro. Um contingente muito grande de pacientes com suspeita da doença, identificada pela elevação do PSA ou pelo exame clínico na rede de atenção primária – por exemplo, nos postos de saúde e UPAs – não conseguia fechar o diagnóstico de câncer, o que só é possível por meio de biópsia.

 

A biópsia é um procedimento cirúrgico no qual se colhe amostras de tecidos ou células para exame patológico, que atesta, ou não, a presença de células cancerígenas. Em dois anos de funcionamento, foram encaminhados 4.002 pacientes para investigação diagnóstica no CDCP INCA. A equipe especializada do Centro descartou a necessidade de biópsia em parte dos pacientes e realizou o exame em 2.301 homens, dos quais 1.201 foram diagnosticados com câncer de próstata.

 

O CDCP INCA é a única unidade do SUS em que a biópsia de próstata é realizada sob sedação anestesiológica, o que é muito importante, uma vez que a experiência demonstra que muitos pacientes adiam ou evitam o procedimento devido à dor. O Centro conta com equipe multidisciplinar de uro-oncologistas, radiologistas intervencionistas, anestesistas e enfermeiros e estrutura informatizada que permite o rápido diagnóstico e encaminhamento dos pacientes para tratamento, conforme o resultado do exame.

 

“Os pacientes chegam ao Centro por meio do sistema de regulação. Em apenas 45 dias após o primeiro atendimento, o paciente diagnosticado com câncer retorna para orientação de tratamento com o médico especialista que o atendeu inicialmente,” relata Franz Campos, chefe do Serviço de Urologia do INCA e coordenador do CDCP INCA. “O CDCP resolveu o principal gargalo ao tratamento do câncer de próstata no estado. Estamos salvando vidas.”

 

 

Informações sobre a saúde do homem

Os portais do INCA e do Ministério da Saúde apresentam informações valiosas para a população sobre o câncer de próstata e a saúde masculina, que enfatizam que cuidar de si também é coisa de homem.

 

Com apoio técnico do INCA, o Ministério da Saúde lançou em seu portal a página Câncer de próstata; causas, sintomas, tratamento e prevenção. O INCA disponibiliza a cartilha Câncer de próstata: vamos falar sobre isso? com informações para que as pessoas possam entender mais acerca da doença e decidirem o que é melhor para a própria saúde. A cartilha incentiva a conversa com o profissional de saúde.

 

Para a TV INCA, canal do INCA no Youtube, o Instituto produziu o vídeo Saúde do homem, alerta e convite para que o homem se cuide. Na página, encontram-se diversos vídeos sobre a prevenção e o controle do câncer.