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12/01/2020 16h06

Cirurgia de Mohs: 99% de cura do câncer de pele

Graciliano Candido


A pele é o maior órgão do corpo, e também é alvo de um dos tipos de tumores mais frequentes, o carcinoma basocelular. Se não for tratado adequadamente, pode gerar expressivas mutilações no corpo de um paciente. E as estimativas do Instituto Nacional de Câncer não são nada animadoras: em 2018, cerca de 166 mil novos casos de câncer de pele foram estimados pelo Inca.  

 

A boa notícia é que os avanços da Medicina trazem cada vez mais formas eficazes de combate à doença, levando à cura. Uma delas é a cirurgia de Mohs, técnica indicada para o tratamento dos carcinomas basocelular e espinocelular. O método permite o preparo, durante a própria cirurgia, dos tecidos tumorais para análise microscópica. A explicação mais detalhada de como ocorre a cirurgia vem do dermatologista Luciano Morgado, da clínica Monte Parnaso, na Asa Sul de Brasília. 

 

“Na técnica de biópsia convencional, normalmente é aplicada uma margem de 5 a 6 milímetros ao redor do tumor e, posteriormente, a peça é encaminhada para exame, que pode levar dias para ser analisada e chegar a resultados. Na cirurgia de Mohs, uma margem inicial de apenas 2 milímetros pode ser aplicada, e praticamente 100% das margens serão analisadas em seguida, durante o ato cirúrgico, poupando tecidos em áreas mais sensíveis, como o rosto, por exemplo. É um método meticuloso e bastante eficaz para o tratamento desse tipo de câncer”, garante o médico. 

 

 

O dermatologista dá outros detalhes da cirurgia: 

 

“Caso seja identificado tumor nas margens, é detectada a sua localização precisa, permitindo a retirada da camada de tecido somente na área afetada, poupando área de pele sã. O procedimento é repetido até que todas as margens estejam livres, e o especialista consiga fazer a reconstrução da ferida com segurança”, explica. 

 

Luciano Morgado afirma que a taxa de cura do câncer de pele por meio da cirurgia de Mohs é de 99%, enquanto técnicas convencionais chegam a pouco mais de 90% de chances de cura. Para os tumores que voltam a aparecer após cirurgias, a taxa de cura graças ao método Mohs é de 95%, contra 80% das demais cirurgias. 

 

“Esse tipo de tratamento é principalmente indicado para tumores invasivos, os que apresentam margens comprometidas após uma primeira cirurgia e os recidivados. A cirurgia de Mohs pode ser realizada ainda em tumores com subtipo histológico mais agressivo, como o esclerodermiforme e o dermatofibrossarcoma”, conclui o dermatologista.